Adoro escrever: quando estou triste, apaixonada, embriagada, infeliz, abandonada, cercada, individada, inspirada. Não sei como, não sei de onde, mas quando me vem vontade de escrever, eu fico exageradamente Nua. Escrevo tudo o que me vem na veia! Sou uma MULHER plena, feliz, ousada, realizada. Não canso de agradecer ao meu "Segnhore per tutto"...MINHA VIDA É GUIADA POR DEUS!!!
12/16/2022
8/03/2022
obra prima
Entre surtos, suspiros e sonhos,
vivo meu tempo num impulso louco,
não fujo de embates calmos ou medonhos,
tenho muita sorte, mas juízo pouco,
constantemente a vida me desmonta
com desafios que deixam morta,
me faço forte para seguir meio tonta,
por que comigo mesmo, ninguém se importa,
Depois de uma taça ou mesmo uma garrafa,
vomito meus monstros, caio num sono,
mas antes tranco a porta.
procuro-me
Perdida entre responsabilidades em demasiado,
trabalhos e relatórios atrasados,
esqueço-me de me olhar, de me amar, de me entender,
de me cuidar, de me surpreender...
Fico indiferentes às minhas dores, minhas necessidades,
meus temores em troca de pequenas benesses
que nem me proporcionam tantas felicidades.
E quando me dou conta do descaso
me busco, me resgato, com tanta voracidade
que não vejo a hora de me encontrar,
pois de mim, tenho saudade...
Ai, então, faço uma festa para mim,
vestido novo, vinho bom, música alta
e tiros de festim.
seja o que flor, floreço.
Se a noite for de sonhos, amanheço;
se a manhã for com musicas, entardeço:
se a tarde for de passeios, anoiteço;
se o dia for nebuloso, entristeço;
se o sorriso for para mim, agradeço;
se a vida for com paixão, eu verão;
se for igual todo ano, eu outono;
se a vida for um inferno, eu inverno;
se a vida for uma gerra, eu primavera;
se tudo for alegria, eu ventania;
se nada está dando certo; eu deserto;
se a noticia me afeta, eu poeta;
se a amizade é falsa, eu sou valsa;
se meu corpo está quente, eu doente;
se o beijo está frio, não arrepio;
mão adianta me dar conselhos, eu tenho espelho.
8/02/2022
mulher no espelho
A mulher no espelho
Abro as portas do armário
e diante de tantas roupas
sei que nenhuma me veste
De tanto experimentar
encontro um vestido que preste
Tipo saco, listado, sem curvas,
Onde eu caibo, espremida,
tipo carne embutida,
Hororosa, gorda, redonda, rotunda
Fico triste, deprimida
Tenho uma melancia na barriga
E me falta músculos na bunda,
estou feia,m grisalha, esfomeada,
Menopausa, perda de libido,
sem auto-estima, sem sentidos,
Hormônios, poli vitamínicos
de que adianta ter tantos vestidos?
beijos negados
BEIJOS NEGADOS
Era tanta a obediência
e um caminho a ser seguido
que nada era elegante
Tudo era proibido...
A primeira filha
Das avós não teve colo
Nem afagos da família
De parentes nenhum elogio
Todo ano um irmão novo
Para dormir juntos no frio
Se quer ganhou um brinquedo
De plástico, pano ou porcelana
Sempre obedecendo com medo
Sua boneca foi sua mana.
Cresceu sem nenhum sonho
Apenas vendo passar a infância
Quando se tornou adolescente
Que percebeu a distância
Que havia entre o passado e o presente
Então, resolveu naquele momento
Fazer melhor seu futuro
Trabalhava e estudava ao mesmo tempo
Para recuperar com juros
Sequelas irreversíveis,
nunca sanadas,
Cada vez mais visíveis.
volupia
perdidos
Lembro-me de
ter sorvido
Teu hálito,
teu lábio, tua boca,
Tua saliva,
tua sofreguidão
Sinto de
novo a mesma magia
A mesma
brisa, a mesma fantasia,
Os mesmos
odores , a mesma tentação,
Os mesmo
calafrios na pele que arrepia.
Em cada copo
de cerveja
espumante e
envolvente
Em cada
sopro de vento
Quando frio
ou quando quente,
No copo de
remédio amargo,
Que engasga
mas alivia,
Na criança
que corre contente
E derrama
pela casa, só alegria.
Sinto tua
respiração
aquecendo o
meu ouvido
Teu coração
bem junto ao meu,
Sua voz
suave sussurrando,
só doçura...
E eu toda
doce,
me
entregando ,
só
ternura...
farnhente
Copo vazio
Calor... calor... calor.
Céu enegrecido,
vento abafado!
Chuvas torrenciais...
Cachorro se coçando na
perna do sofá,
depois sobe, deita
e rosna se espreguiçando...
Na televisão um programa sensacionalista...
uma vítima de soterramento...
e fofocas da próxima revista...
uma térmica com água quente...
uma cuia de mão em mão...
uma galocha nos pés...
milho verde no fogão...
cheiro de férias caseiras...
de culinária experimental...
chutney, conservas, licores...
salgado, doce ornamental...
Eu fazendo meus crochês de mil cores...
e o marido de avental...
Pela janela o cheiro de terra molhada...
a brisa fresca que a chuva espalhou...
não troco este “farnhente” por nada!
aguardo as próximas ferias...
e vou passar onde estou.
metapoema
metapoema
Quando engravido de um poema
Fico visualizando seu jeito
calculando suas medidas
imaginando seu efeito
planejando seu nascimento
se ele nasce ... que delícia!
Se será sagrado, profano, romântico
Ou impregnado de malícia...
Quando, finalmente, é parido
eu o crítico, o julgo, o censuro
deixo-o amadurar no obscuro,
pois gostaria que ele fosse querido
e já registrado com sucesso
E que no colo de todos
Imediatamente, tivesse acesso
Fosse eleito e aceito,
Sem ressalvas, nem preconceitos.
Quem sou?
Quem serei?
Será que algum dia, alguém vai me decifrar?
Se nem eu, estudiosa de mim mesma, sei.
Sou simples, chata, chorona e feliz...
Jô, mãe, dona de casa, professora,
super organizada, perfeccionista, prática,
autêntica, solidária e honesta.
Mas é possível?
Gosto de bijuterias, camisetas, jeans,
vestidos estampadas, chinelos havaianas,
unhas lilás, sol de verão, piscina, computador,
animais, sorvetes, cervejas, estrogonofe,
pizza, caminhadas, Orkut, blogs,
namorar, dormir e comer...
Ah!, também tenho minhas preguiças...
Então por hoje chega.
Lucidez
Abro, cansada, os meus olhos
Na
hipotética e tênue lucidez
Sinto-me
hipnotizada e impotente
Lesada
diante de tanta pequenez
Onde estão meus olhos de jabuticaba?
Onde perdi a maciez de minha pele?
Onde consegui olheiras tão escuras?
E meu sorriso já não tem o doce mel.
Por que
abandonei o livro de cabeceira?
Por que
anseio destruir o personagem?
Por que
vislumbro ser a justiceira?
Se não
me resta mais nenhuma coragem.
O meu corpo seca visivelmente
As minhas palavras ferem como punhais
Secam minha alma, espírito e mente
Que temo não recuperá-los nunca
mais.
Doem-me
as entranhas e a consciência
Doem-me
a covardia de testemunhar,
Por que
não levanto e tomo ciência?
Por que
me permito aniquilar?
mulher melhor
mulher que quer crescer
estudar, trabalhar e vencer!
mulher que quer amor
respeito, carinho e valor!
mulher que quer um lar
móveis, teto e um par!
mulher que quer família
esposo, filhos e filha!!
mulher que quer estabilidade
sendo reconhecida na sociedade!
mulher que quer justiça
e que não pode ter preguiça!
mulher que usa o coração
para equilibrar sua razão!
mulher que usa a beleza
para dar à vida, leveza!
mulher que chora escondida
para não ser reduzida!
mulher que ama incondicional
que, às vezes, até se faz mal!
mulher que tudo é capaz
para os seus viverem em paz
Deboche
Adoro escrever
Quando estou triste, apaixonada,
embriagada, infeliz, abandonada,
cercada, endividada, inspirada.
Não sei como, não sei de onde,
mas quando me vem vontade de escrever,
eu fico exageradamente Nua.
Escrevo tudo o que me vem na veia!
Sem vergonha e sem censura
Sou uma pessoa, feliz, ousada, realizada.
abusada, sem frescura
Corajosa e debochada.
agosto
Era uma manhã de domingo acinzentado
Quando levantei tarde,
Abri a janela do meu quarto
E senti me tocar um ar abafado
No céu encoberto pela fumaça das queimadas
Do mês de agosto, o sol não se mostrava,
Estava sob a atmosfera poluída.
Entendi que teríamos um dia calorento,
Sem sol, sem chuvas, sem vento
Mês de agosto é diferenciado,
As floradas trazem as alergias e as rinites,
a falta de chuva a terra resseca,
escassez de águas nas
fontes,
baixa umidade do ar.
As temperaturas destemperadas,
Com dias muito quentes,
Especialmente para mim.
A noite um frescor perfumado
pelas flores dos pomares
e algumas espécies do jardim.
Esperança
Levante,
Olhe para o futuro
e avante,
Não permaneça prostrada
Em atitude de submissão
Olha em volta
Tudo vive,
Tudo se move,
Então, não se deixe morrer
Há outros dias,
Outros sonhos,
Outras poesias
Como existem fatos ruins
É fato que haverá os bons,
Seque o pranto
Adoce sua boca
Brilhe seu olhar
há tantos sonhos adormecidos,
Acorde para sonhar!
Instantes
Instantes
Quando com sede chegamos na fonte de águas limpas e frescas;
Quando cansados alcançamos uma árvore com sombra frondosa;
Quando com fome pegamos a fruta madura no galho mais alto;
Quando caminhando e ganhamos uma carona, de carro, de
carroça ou bicicleta;
Quando a chuva cai torrencialmente fria e pesada e alguém
nos oferece um lado do guarda-chuva;
Quando choramos pranteando e alguém nos oferece o ombro em
silêncio;
Quando nós ferimos com espinhos e alguém nos oferece uma
flor.
Tempo, tempo
"Há tempo para tudo"
É apenas uma questão de tempo.
Tempo de semear...
tempo para com "templar" a germinação...
Tempo para se olhar o horizonte
para saber se o tempo chove na época certa,
e se, haverá um tempo certo para se colher.
Assim como há o tempo de refletir,
de calar, de ouvir, de partilhar,
de reconhecer, de perdoar...
O tempo, já diziam nossos pais, tudo cura.
Padre Antonio Vieira, lá pelos meados de 1600
deixou registrado que:
"...atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais
a corações de cera!
Um abraço apressado, gente, enquanto há tempo!
afinal o tempo ruge!
Colapso
Final de fevereiro,
seca no sul,
decretos feitos no impulso,
filas nas portas dos hospitais,
doentes sufocando,
parentes gritando,
não há vagas,
não há respiradores,
não há presidente,
não há ministro,
não há governadores,
não há mais controle,
o Brasil desceu toda ladeira,
o vírus pegou geral,
quem tem três beiras,
quem não tem nenhuma.
Estamos assim faz um ano,
atentos, ansiosos
esperando uma solução
que não se aproxima,
as autoridades negacionistas,
assistindo a chacina,
fazendo maracutaias,
criticando a medicina,
atrasando, dificultando
a chegada da vacina,
Em pleno século XXI estamos refém
de politicos que se blindam,
que depois de eleitos
não lembram mais de ninguém.
25/02/21
adeus Popó
Hoje o dia enlutado amanheceu
Após uma noite fria e silenciosa
é que ontem, no final da tarde,
o Popó, nosso mascote, morreu
e a vida malvada e capciosa
levou-o de uma forma tão covarde.
Choramos todos...
amigos, filhos, mami e papi...
Popó será insubstituível
Ele era nossa lambança
nosso “bebeinho” incrível
morreu brincando com as crianças
mal sabia, dos riscos
que a rua oferecia
saltitando, feliz,
atrás dos outros ele corria.
Dali a pouco,
passou um carro voando,
então ele, o POPÓ, morria.
Levando embora
um dos motivos de nossa alegria.
Seja feliz Popó,
Tenha certeza:
você era muito inteligente,
fiel, amigos, carinhoso
Tudo em você era diferente
Você não era um bicho
Você era um ser-quase-gente
Vamos lembrar de você
No Orkut, nos blogs, eternamente
espero que tenhamos retribuído
a felicidade que você nos proporcionou.
Mas me diga:
O que vou fazer com a ração que sobrou?
O xampoo que voce não usou?
Seu talco que no banheiro ficou?
A sua ausência que aqui em casa se instalou?
espanto
O tempo todo corremos,
enfrentamos filas onde quer que vamos:
no trânsito, no banco, no super mercado,
na farmácia, no elevador apertado
no Posto de saúde, no orelhão.
Dormimos pouco, comemos mal,
não temos tempo para ler jornal,
então nos bastamos com o "Nacional",
manipulado, dourado, sensacionalista.
Lá tem o "Jabor", que dá seu ponto de vista.
poderia
Quantos sonhos eu sonhei?
Até as contas eu perdi.
Poderia ter sido jornalista,
Também quis ser doutora
mas foi sendo diarista
que consegui ser professora
Quis tanto ser feliz
Ter uma família normal
Os filhos que sempre quis
Criados pelo casal
mas há um destino traçado
que não sabemos o final
A vida é um jogo de lego
Que vem sem o passo a passo
O que acaricia nosso ego
Escapa de nossos braços
E foi com ensaios e erros
Sem estágios, sem chances
Que às pressas, no desespero
A vida passa num relance...
falas de orgulho
Hoje pela manhã precisei dos serviços de mecânica
especializada
em carros com câmbio automático,
para tal, procurei uma renomada empresa prestadora destes
serviços na cidade.
Um mecânico experiente, atencioso, coroa e muito charmoso sugeriu
que fôssemos rodar com meu carro para identificar alguns problemas, quando ele
me inqueriu:
----- Como posso chamá-la, senhora?
----- Profê Jô, professora JÔ... - respondi empoderada...
Depois pensei comigo:
"E minha melhor definição, sou há 43 anos professora,
mais que mãe, mais que avó, serei sempre professora."
Conclui meu pensamento e meus olhos marejaram.
Profissão x profecia
Formei-me para servir
E a missão é para ser vil
Me convocam para lutar
E a trincheira me faz enlutar
Me convencem a ser guerreira
E logo viro baderneira
Me gritam para ser aguerrida
Mas no confronto sou ferida
Vou dar aulas numa praça
E lá caio em desgraça
Quando cumpro o calendário
Ninguém me xinga de otário
Basta que entre na luta
Me chamam filha da puta
Se vou todo dia na escola
E meu salário não decola
Me junto a categoria
Nunca fui de covardia.
Lutar uma vida inteira
E não salvar minha carreira
Sempre lembrada em campanha
Mas quando se revela, apanha.
sempre na luta
São tempos complicados
O mundo está doente
Com várias comorbidades
Morrendo muita gente
Abalando a sociedade
Nas redes sociais
Uma vitrine de obituários
Que se confirmam a noite
Em todos os noticiários
Temos um imbecil no comando
Cercado de asseclas vassalos
Não acreditam na ciência
São asnos, são cavalos
Blindados pela presidência.
Nas UPAS dezenas de ambulâncias
Com pacientes sobre as macas
Esperando sair o carro funerário
abrindo outra vaga de UTI
e no cemitério outra vala comum.
tempos pesados
Os dias se arrastam sorumbáticos
As dores do meu corpo aumentando exponencialmente
O confinamento prolongado
é problemático
As pessoas todas só se queixando
Meus pés estão muito pesados
Tenho pedras invisíveis penduradas
Os tendões muito inchados
Os meniscos dilacerados
Reflexos de uma quarentena enclausurada
Enquanto realizo trabalhos em modo remoto
por longas horas fico imobilizada
Não consigo me ver em foto
Pois dia a dia minha imagem piora
As rugas me saltam aos olhos,
Os cabelos pratas me apavoram
Os boletos são esquecidos e
A aposentadoria que não decola.
doce lar
Nossa casa é o melhor lugar para viver,
nela armazenamos nossa história
fotos, cartas, agendas, documentos
tudo que guarda memória
nela estamos seguros, guardados,
ali abrigamos sonhos, segredos,
anseios, esperanças, desgostos, saudades, medos
é ali que somos nós mesmos, desnudos, impuros, inteiros,
podemos também ser covardes
fracos, vingativos ou verdadeiros.
Ali, junto ao que temos e armazenamos
podemos ser politizados e otimistas
filósofos, petralhas
, alienados,
mas Deus me livre sermos bolsonaristas.
Avanços
No passado a mulher era do lar
Prendada, feita para parir
Os homens saiam para a lida
Para o trabalho, para as farras,
Para viagens, para a vida
Suas esposas em casa
Cercadas por mucamas
Dando a luz muitos meninos
Sendo objetivadas, na mesa, nas camas
Sem ter voz ativa, sem decidir
Apenas aceitar que mulheres
Eram nascidas para servir.
Foi nesta época que, de repente,
Encontraram uma diversão
Nos capítulos literários,
Publicados
diariamente em jornais,
Eram lidos, escondidos na ocasião.
Os autores escreviam em profusão
Divulgavam suas obras com prazer
Pois o jornal era o meio de comunicação
As mulheres tinham a leitura como lazer
Foi assim que a tradicional família
Formada pelo pai, mãe, filhos e filhas
Perceberam a importância
Da construção de escolas
Para ensinar a filharada a ler,
aprender e jogar bola.
Foi assim que nasceram os leitores
Numa época que o conhecimento
Era privilegio de homens escritores.
Eu mesma
Eu, por mim
Passei a vida preocupada em ser aceita
Responsável, honesta, perfeita
Passei por ela só
olhando para a frente
Assinando livro ponto, livro ata, livro negro
Cumprindo horários, passando o dedo
Vivendo em câmera lenta,
Superando medos...
...e lá se foi o tempo
e agora é tempo para me reinventar,
tempo de reaprender a ser eu mesma,
de fisioterapias e infiltração
ser leve, dançar, dar risadas
bem alto em bom tom
apesar das dores da artrite,
das dores crônicas, da voz rouca
da insônia e da labirintite
quero ser um tanto louca.
7/05/2022
Tempos gordos
Os dias se arrastam sorumbáticos
As dores do meu corpo aumentando exponencialmente
O confinamento prolongado
é problemático
As pessoas todas só se queixando
Meus pés estão muito pesados
Tenho pedras invisíveis penduradas
Os tendões muito inchados
Os meniscos dilacerados
Reflexos de uma quarentena enclausurada
Enquanto realizo trabalhos em modo remoto
por longas horas fico imobilizada
Não consigo me ver em foto
Pois dia a dia minha imagem piora
As rugas me saltam aos olhos,
Os cabelos pratas me apavoram
Os boletos são esquecidos e
A aposentadoria que não decola.
velha do chapéu vermelho
Não serei uma idosa tristonha
Não serei uma avó de coque na nuca
Serei cada vez mais sem vergonha
Jamais uma coroa caduca
Não serei uma senhora de óculos de grau
Não serei uma velha com roupas cafonas
Não frequentarei igrejas muito menos carnaval
Não calçarei chinelos ou vestirei pantalonas..
Usarei as mídias para ver filmes, músicas e dançar só
Terei cabelos curtos, crespos, soltos ao natural
Usarei lentes de contato para caminhar no sol
Vestirei regatas, jeans e
jaquetas coloridas.
Calçarei botas, tênis
e sandálias de salto alto.
Vestirei meu humor, meu deboche
pra curtir a vida
Quem vai criticar meu estilo de vida que tanto exalto?
Não serei uma aposentada saudosista,
amarga, desinformada e rabugenta
Serei sempre antenada, polêmica em movimentos, protestos e
encrencas.
Nada do que foi será
E se nada do que foi voltará a ser um dia?
Se perdurar por todo e sempre esta maldita pandemia?
Sem vida normal
Em casa, fingimos que estamos isolados,
A vida e feita de saudade do que vivíamos no passado
A vida do filme, da novela, da tv não tem verdades
A motivação pra cumprimos protocolos não encontra reciprocidades.
Estamos ansiosos, cansados e impacientes,
Em meio a tantos descasos, negacionistas e doentes.
Quem foi internado hoje e vai ser entubado depois,
Se terá leito de UTI ou se virará um número ou dois...
Como dói o amor
Amadurecemos e paralelamente
nos tornamos endurecidos,
desmemoriados, insensíveis
às dores amorosas alheias
que por aí testemunhamos.
Achamos desnecessário, engraçado,
ver que os adolescentes sofrem,
choram até as faces ficarem rosas,
ter seu tempo desperdiçado,
esbravejam, batem no
peito
para espancar a dor teimosa,
pensando que isso dará jeito.
Esquecemos que também já sofremos
e buscamos do fundo de nossa experiência,
frases, provérbios, chavões
para impressionar, mostrar nossa inteligência,
para convencê-los de
que tudo isso
já tiramos de letra,
que não temos nem sequelas,
que temos muitas receitas.
“Uma pinoia! Uma balela!”
Só sabemos dizer frases feitas.
Testemunhar dor é o mesmo que voltar nela,
é como voltar ao
passado
através de uma janela.
Dor de amor sempre machuca
mas torna a vida mais singela!
SER MULHER
Que ser mulher, que nada!
Hoje eu queria mesmo era ser paparicada!
Queria feriado para ficar em casa,
comer guloseimas e ficar enfastiada,
pegar uma folga para ficar deitada
vendo Ana Maria Braga,
copiando novas receitas
e mandando na empregada.
Marido trazendo café na cama,
E saindo de fininho
para não me deixar estressada.
Pijama de bolinha,
cama limpa e desarrumada.
Queria telefonar para as mulheres,
que no século passado,
fizeram um grande levante,
queimando caros sutiãs,
para hoje serem homenageadas,
lembradas nos problemas,
lembradas no consumismo,
lembradas na igualdade.
Igualdade na política,
igualdade no trabalho,
igualdade nos direitos.
Igualdade? Igualdade
é o caralho!
Hoje superamos, temos jornadas duplas
só perdemos nos salários!
Susto
Surpreendentemente nos avisam que seremos avós,
sem aviso prévio, sem preliminares, sem torpedo.
E um mundo de inquietações, perguntas,
angústia e medo, se abate sobre nós,
pobres imaturas vovós.
Todo aquele ritual de sentir enjoos, tonturas, insônia,
caminhar sem rumo, olhar sapatinhos, tip tops,
nos invade de sobressalto.
Um misto de alegrias, por imaginar um bebê saltitando pela
casa,
e medo da saudade que teremos que nos ir acostumando,
porque ser avó solteira e
paterna é sinônimo de saudade,
de ciúmes, de distância.
Sem falar das vantagens da avó materna:
ela tem a cumplicidade da filha,
ela vai ao médico, vai à cama,
ela dá conselhos, exemplos, apoio e consolo,
ela trocará as primeiras fraldas,
ajudará na primeira mamada.
Às avós paternas sobram:
um fim de semana agendado,
a primeira comunhão, a festinha como convidada.
Ah, que dureza vai ser,
viver uma avó solteira e paterna.
passeio
Quero que passeie suas mãos em meu coração
Que sua língua, atrevida, encontre o céu de minha boca
e brinque, e dance, e explore o paraíso deserto,
árido e desconhecido desta paixão.
Que o corpo seu transpire odores e suores
E se esparrame de amores sobre o meu.
Que nossas mentes, experimentem sensações,
Confusões, profusões, nunca antes vividas,
E que nem teorias freudianas dão explicações
Que fundam-se nossas
bocas, peles, umbigos,
Suores, pernas, cérebros,, corpos, em fim...
Que nossas razões se percam,
Que nossas identidades danem-se
E que seja bom para você,
protocolos
Não boicote a quarentena
Está difícil, quase impossível,
mas precisamos suportar,
com esperança, com
novena,
Para as vidas
preservar.
Enquanto cientistas incansáveis,
estudam uma vacina
para a pandemia barrar.
Respeitemos os protocolos
pois um dia certamente vai passar,
e vamos saber que valeu a pena
vamos fazer festas, cerimônias
para a vida comemorar
pois acreditar na ciência foi importante
e ajudou a nos salvar...
fica em casa
Fica em casa
É o que mais se ouve,
mais se escreve,
mais se lê,
mais se faz...
Fica em casa,
cuide do planeta,
das pessoas,
dos amigos,
dos seus pais
Lá fora existe maldade, contradições,
doenças, vírus, contaminações...
negacionistas e aglomerações
Fica em casa,
lave as mãos,
não toque os outros,
mantenha distância,
não troque afetos,
nem com filhos,
nem com netos.
Fica em casa
obedeça os protocolos
apelos das
autoridades,
das igrejas, do vaticano
dos políticos das cidades...
Se aventure
Sem graça, sem gosto, sem glorias
Sem esperança, sem perspectivas,
sem motivação, sem alternativas,
deve ser a sensação de envelhecer sem se reinventar...
Mas a vida começa todas às vezes
que acordamos e abrimos as janelas,
não deixe a depressão dar-lhe rasteiras
Isolamento, ou esculacho
Seja ligeira, não fique por baixo
Faça uma receita nova
Aprenda fazer crochê,
Aprenda fazer algo que nunca fez
Por falta de dinheiro ou de tempo
aprenda jogar, canastra Jogue baralho,
Aprenda tocar um instrumento musical
Não se culpe por não ter trabalho
A vida começa a hora que sacudimos as cobertas
Ao acordar todas as manhãs
Não seja vitimista, resmunguenta
Dê bons exemplos, faça por prazer,
Para preservar a lucidez
Seja seu melhor em tudo o que
Se propõe realizar
Deixe um legado legal
Para que lembrem de você
Como pessoa positivista
e não pelas suas lamentações
peça para escrever na
lápide
de sua morada final a frase:
“ aqui jaz alguém que viveu
Tudo o que desejou em vida,
Amou, se curou e partiu plena”
Não deixe por menos.
Recompensas
Fui premiada vida a fora
Por crianças de todas as idades
Minha profissão me oportunizou
Ser educadora em várias cidades
Mas as crianças mais esperadas
São meus cinco netos queridos
Todas elas muito amadas
Todos são meus preferidos
A Sofia, a primogênita
É autentica e geniosa
ela tem a quem puxar
duas vovós bem corajosas
A segunda é a Yasmin
Pensa o quanto é estudiosa
Deve ter puxado a mim
Porém é muito ansiosa
A terceira se chama Esther
Deixa todos boquiaberta
Canta, dança, faz o que quer ,
Puxou aos pais, muito esperta.
A próxima é a pimentinha
Pietra veio para causar
Linda, autêntica e lourinha
Não se deixa enganar.
E pensa que parou aqui?
O último é o Israel
Para fechar veio o guri
Simpático, olhos e cabelos de mel.
Não há nada mais gratificante,
ganhar o carinho de netos
por eles eu quero viver
com meus bração sempre abertos.
Liberdade ainda que tarde
É maravilhoso amadurecer livre e serenamente,
Poder viver mais uma vez a experiência da liberdade.
Dar-me a oportunidade de conhecer-me única,
Capaz e absolutamente dona de minhas vontades.
Poder levantar-me tarde, comer a qualquer hora,
jogar baralho com amigos, caminhar, trabalhar,
dançar, namorar, ler, tomar sol, viajar
e pagar o preço daquilo que realmente desejo,
sem precisar consultar ninguém,
não me sentindo obrigada a entrar numa calça apertada
para parecer sexy,
ou comendo mal e pouco para perder peso
na tentativa de me enquadrar nos padrões impostos pelos
outros.
Liberdade e capacidade são bens impagáveis!
Reconhecer que este momento é uma dádiva,
um presente, talvez um prêmio por tudo que já passei e
superei,
só me faz ter motivos para ser feliz e grata.
"ENTRETANTOS"
Entretanto põe-se ele (nós, vós e todos os outros) a pensar!
Sobre a falência das crenças!
A falácia totalmente escancarada,
0 futuro indefinido,
O pensamento apodrecido:
Sobre: “A pátria amada”:
Não está mais tão adorada,
O lábaro não ostenta mais aquele florão,
O impávido não é mais aquele colosso
E o cruzeiro não
resplandece mais a nossa grandeza!
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever!
Mas está difícil de entender e estender esse manto
E aos prantos acompanhamos a derrocada dos
Que, teoricamente nos representam
e esse é o tom que a
maioria lamenta!
Perde-se a fé, o interesse e no futuro próximo
e vem o esquecimento!
Eu lamento, que o vento que sopra hoje é de recolhimento,
Será o valor do nosso
pagamento
e com certeza de Arrependimento
da representatividade falida!
Só se vê maldade e apoioismo (essa palavra não existe, mas
tem significado),
O egoísmo e o extrocismo (essa também não)!
Estamos literalmente pelados, deitados no sofá
Vendo um cúmplice falar bobagens chamado #Faustão (antiBrasileiro)!
Em pleno domingão!
Torço muito, para que no amanhã possamos ser mais críticos,
Mais seletivos e mais objetivos, e torcer muito pra estarmos
vivos;
Que possamos discutir, sem ouvir palavras sem sentido
que doam em nossos ouvidos,
de qualquer indivíduo,
que já esqueceu o que fez no dia anterior,
Isso sim é um terror!
Hoje diz que não está contente,
mas olhar o amanhã e olhar pra frente
deve dar dor nos dentes.
Certo ou errado, inocente ou culpado?!
Precisamos argumentar, por que ser mais um jumento é fácil!
É só falar, criticar, mas pra mudar é preciso agir, não
fugir!
Pra mudar precisa conhecer o outro ser!
Criticar enobrece, ofender empobrece!
Difamar é falta de critério e esse é o mistério a ser
desvendado!
Então, jogue o bobo aos lobos e fique quieto, alienado,
puxando o saco só
de um lado....
Esperar Cansa
Espere, meu amor, espere
O mundo todo está a esperar,
Logo tudo isso passa,
só não passa nossa
espera.
Nosso beijo vai acontecer,
Nossos braços vão se abraçar,
Nosso mundo vai se confundir.
Espere, meu amor, espere.
vão se reencontrar duas crianças
Ninguém vai interferir,
Nem o frio, nem o medo,
Nem mesmo a
insegurança.
Espere, meu amor, espere.
O mundo pedindo calma,
Para ver o que vai sobrar .
Se o que sentimos é uma cisma,
Ou um sonho de criança.
EMA
Ela é anônima
Vive na sombra
Vida invisível
Medida protetiva
Para que nasceu?
Para quem vive?
Nesta vida torta
Cheia de medos
Ninguém se importa
Sempre escondida
Espreitando pelo buraco da porta
Ema... Apenas, EMA
Sem prosa,
Sem poema,
Na vigiada rotina,
Ema se esconde
Desde cedo, ainda menina,
Primeiro tapa do pai,
da mãe, dos irmãos,
então, com ele foge, sai
Em busca de paz
Novamente cai...
Ema apanha
Ema toma
Já não sonha...
Hematomas.
Sonho de padaria
Te vejo no espelho, beijando minha nuca...
Te vejo no retrovisor seguindo meus passos...
Te vejo na caneta, desenhando palavras doces...
Te vejo nas conversas, soltando gargalhadas largas...
Te sinto no banho passando suas mãos...
Te sinto na leveza do edredom, acariciando-me as coxas...
Te sinto nos sonhos, nos ritmos tresloucados...
Te sinto o cheiro , quando acordo,
Impregnando meus seios,
meus cabelos e meu travesseiro...
Te sinto dentro de mim, invadindo minha solidão,
meus pensamentos pecaminosos, meu coração...
nada mais importa mais,
só este sintoma de grande paixão...
te quero feliz...
Desconstrução
Sou feita de retalhos,
Sou fera magoada,
Cheia de atos falhos,
Sou grosseiramente
remendada,
Com um pouco de todos que convivi
Sou uma lesma, uma pamonha
Uma saracura, um bem te vi
Uma guerreira sem vergonha
Sou pé na terra, pé no barro
Pé na porta, pé no saco
Sou coração de melancia
Adocicada, avermelhada, suculenta
Sou movida por engrenagens extintas
Sou compreensiva, faminta, compulsiva
Mas me gosto tanto...
E por respeitar minha personalidade
ainda fortaleço meus defeitos
tenho uma cabeça cheia de sonhos
um corpo cheio de dores,
Um cérebro que me impulsiona
a nunca desistir de amores,
de casa limpa, comida boa
de um dia estar com mil ideia
no outro nenhuma,
apenas atoa.
Desorientada
Você é maravilhoso,
Pôs ópio em meu cérebro
Anticéptico em meu coração,
Mel em meus lábios,
Ácido lisérgico em meu sangue,
No meu corpo, explosão.
O mundo é precioso!
A felicidade ficou perto,
Primavera é a estação.
Os idiotas são tão sábios,
O que é ruim não me atinge.
Se for pecado, que seja bom!!
memorial
Eu sou Jovilde
1. Em minha infância eu estudei em uma escola municipal
rural, no interior de Coronel Freitas, SC, onde minha primeira professora foi
Zenaide, ela continua viva, era longe de
casa e, às vezes, meu pai me levava a cavalo, outras ele me esperava numa ponte,
sempre com medo que eu pudesse brincar de resgatar bebês no rio, de me afogar
ou escurecer e eu ter medo de voltar...
2. Minha formação é de 4 anos de magistério em Salto do
Lontra, colégio Ir. Maria Margarida e graduação em Letras Português, na
FAFI/Palmas/Pr com Especialização em Teoria da Literatura na
FAFIG/Guarapuava/Pr. Sempre trabalhei 40 horas, tanto no município como também
no estado, já aposentei num padrão e agora espero a aposentadoria no outro. Fui
professora de Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio, Formação de
Docentes, curso preparatórios para vestibular Hoje, tenho em meus ex-alunos,
pessoas que admiro, amigos e profissionais incríveis por todas as partes do
Brasil.
3. Assim sendo, a minha vida foi uma grande superação,
sim... nasci numa família pobre, simples e amorosa, tenho outros 4 irmãos de
sangue e uma irmã do coração.
4. Já fui agricultora, empregada doméstica, diarista, babá, balconista
de loja de roupas, vendedora de Avon, fiz crochê para vender, balconista em
panificadora, boia fria, fiz tricô para pagar a pensão da dona Cinira em
palmas...Dei meus pulos para não depender de meus pais.
5. Minha vida amorosa é muito vasta... Casei com meu segundo
namorado, namorávamos por cartas durante 4 anos, tive com ele 2 filhos e
separamos em 1996, hoje temos 5 netos maravilindos. Então chegou o segundo me
trazendo muitas promessas de reconstrução de nossas almas machucadas e demos
uma sacudida em nossas vidas fomos (in)felizes por 7 anos, mas ele acabou
falecendo farto, de infarto fulminante. Deus o tem!
Aí eu resolvi ficar...ficar com quem se interessasse por mim
e eu achasse interessante, pelo tempo que eu quisesse... Então conheci o Paulo
e convivemos por 1 ano, viajamos, bebemos, dançamos e em fim, cansamos e ele
partiu continuar a vida de caminhoneiro. Resolvi ensacar a viola e só jogar
Canastra, fazer protestos, greves, lutas, e debochar da vida de um jeito
matreiro, leve, sem neuras. Agora tenho um crush...para chamar de meu, até
quando for bom para ambos...
6. A vida passa muito rápido, as relações modificam-se, os
planos falham, a idade chega junto com rugas, celulites e estrias, temos que
aceitar também os traumas.
Viver é bom Sebastião!!
Daqui a pouco seremos apenas retratos amarelados em caixas
puídas pelo tempo, ou nem isso.
Primeiro de ano
Em um lugar sossegado
Longe das praias e
baladas
Perto do sossego
Comendo churrasco,
e sobremesa sorvete
tomando geladas
Adeus ano velho
Virada do ano
Um calor insano
Alguém querendo fazer amor,
--Mas fazer como,
Com tanto calor?
--Ligamos o ventilador,
Na velocidade maior...
--Não, não! Vai dar uma mergulhada...
Esquece um pouco o sexo
Com esta temperatura,
Ir pra cama não tem nexo.
terapêutica
Como é bom voltar aqui
Aqui me sinto muito forte
Necessária, importante
A natureza me entende
As pessoas me amam
Eu me amo...
Meus sentidos estão todos atentos,
Minha imaginação se fertiliza,
Minha coragem me constrange,
Minha inteligência me instiga,
Minha felicidade me assusta!
Como é bom estar aqui...
Onde ficou o mundo que me ofende?
Onde estão as pessoas que não me valorizam?
Estão lá fora...
fora de área...
fora de alcance...
Fora dos meus planos.
Como é bom sair daqui,
Voltar feliz a outro lugar
Tão bom quanto este aqui,
Outro lugar que também amo e me amam
Minha casa, meus filhos, meu lar...











