8/02/2022

Lucidez

 Abro, cansada, os meus olhos

Na hipotética e tênue lucidez

Sinto-me hipnotizada e impotente

Lesada diante de tanta pequenez

            Onde estão meus olhos de jabuticaba?

            Onde perdi a maciez de minha pele?

            Onde consegui olheiras tão escuras?

            E meu sorriso já não tem o doce mel.

Por que abandonei o livro de cabeceira?

Por que anseio destruir o personagem?

Por que vislumbro ser a justiceira?

Se não me resta mais nenhuma coragem.

            O meu corpo seca visivelmente

            As minhas palavras ferem como punhais

            Secam minha alma, espírito e mente

            Que temo não recuperá-los nunca mais.

Doem-me as entranhas e a consciência

Doem-me a covardia de testemunhar,

Por que não levanto e tomo ciência?

Por que me permito aniquilar?

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