Abro, cansada, os meus olhos
Na
hipotética e tênue lucidez
Sinto-me
hipnotizada e impotente
Lesada
diante de tanta pequenez
Onde estão meus olhos de jabuticaba?
Onde perdi a maciez de minha pele?
Onde consegui olheiras tão escuras?
E meu sorriso já não tem o doce mel.
Por que
abandonei o livro de cabeceira?
Por que
anseio destruir o personagem?
Por que
vislumbro ser a justiceira?
Se não
me resta mais nenhuma coragem.
O meu corpo seca visivelmente
As minhas palavras ferem como punhais
Secam minha alma, espírito e mente
Que temo não recuperá-los nunca
mais.
Doem-me
as entranhas e a consciência
Doem-me
a covardia de testemunhar,
Por que
não levanto e tomo ciência?
Por que
me permito aniquilar?
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