Ela pensava que seria eternamente expectadora das realizações e experiências dos que a cercava, que era responsável pela felicidade dos outros, que era capaz de contribuir para tal e não decepcionar era uma de suas metas...
E se empenhava.
Sua alma, seu prazer, sua satisfação estavam engavetadas num subconsciente inacessível, num local de breu, onde nem ela alcançava.
Nasceu, cresceu, viveu e envelheceu presenciando seu desempenho em empoderar os seus.
Em
torno deles limpava arestas, podava obstáculos, plantava sonhos e adubava realizações...
E como se realizava nas conquistas alheias!!!
E foram tantos anos, tantos esforços, tanto empenho que despertou num dia e percebeu o quanto estava esgotada, desencantada, desiludida, atrasada para viver sua vida, enrugada, sequelada e envelhecida, com pouco tempo e energia para recuperar sua própria história.
Mas num ato desesperado de lucidez, bloqueou suas fragilidades, anulou seus gatilhos, recalculou sua rota, avisou os filhos, arrumou as malas e foi conhecer a ponte aérea. Gostou tanto que