Bodas de Ouro é um evento tão raro e tão importante,
que dispensa qualquer tipo de conceituação.
Comemora-se uma vida a dois vivida
durante o longo período de cinquenta anos.
É um acontecimento único e singular na vida de um casal,
de sua família, dos seus filhos, netos e bisnetos
e de todos aqueles que lhes querem bem, ou mal.
É, enfim, um momento
que funde-se presente, passado e futuro.
Concluímos também que, mesmo sem dizer uma só palavra,
quem está nos
transmitindo uma mensagem grandiosa,
lá do alto dos seus cinquenta anos de casados,
são seu Cassildo e dona Ondina, aqui presentes.
Pai e mãe!
Nós estamos aqui para recordar uma trajetória de
perseveranças
que foram marcados por desafios, lutas e encorajamentos.
Sabemos das dificuldades do início de tudo,
quando vocês dois, para construir uma vida juntos,
formar uma família como a nossa, que vocês tem tanto
orgulho,
tiveram que abrir picadas a foice, falquejar tábuas e cepos,
serrar barrotes e construir taipas, lascar tabuinhas, fincar
alicerces,
furar poços, plantar manualmente em covas,
capinar as erva daninhas, colher com as mãos e bater a
colheita à manguás.
Tudo muito planejado, para dar um pouco de conforto a
família
que está representada
pelos filhos que hoje aqui estão.
Mãe, você que junto de nosso pai, trabalhou de sol a sol,
na saúde, na doença, gerando e parindo os cindo filhos em
casa,
sem pré-natal, sem
assistência, sem nenhuma garantia
de que você ou seu rebentos sobreviveriam,
Mas vocês, com suas intuições de bons cristãos souberam nos
esperar e nos criar muito bem.
O sonho e desejo de construir uma família virou realidade.
Em pouco tempo tomou forma, um a um, os filhos foram
aparecendo,
até surgir o quinto, a casa se encheu de vida e alegria,
dando-nos muito amor, ensinando-nos a ter fé, amar a Deus,
amar o próximo, e acima de tudo, respeitar e honrar pai e
mãe.
Lembremo-nos dos domingos de missa na comunidade,
nós todos vestidos iguais, com roupas novas, costuradas por
você, mãe,
então embarcávamos na carroça limpinha,
com 3 tábuas atravessadas que serviam de bancos,
e o pai nos levava até a igreja, onde aprendíamos lições de
catecismo,
cânticos religiosos, tomávamos gasosa, comíamos bolo de
festa.
Éramos crianças xucras, não largávamos das calças do pai nem
as saias da mãe,
pois tínhamos medo de
foguetes, “Veio do saco” e do “Negrinho
do Pastoreio.”
E as histórias de assombração que mamãe nos contava em dias
frios ou de chuva?
Em volta do fogão de lenha, onde o pai cortava batatas doces
em rodelas
e sapecava na chapa quente..
O pai ia lá fora com frio e chuva buscar lenha e
não deixava o fogo apagar para não esfriar nossa imaginação
e embalar nossas cabeças cheias de minhocas e fantasmas.
A vida era simples, mas nunca nos faltou pão,
amor, carinho, alimentos, leite, lápis, congas, educação,
água da fonte, tanque dentro da sanga, banho de bica,
bergamotas, melado, açúcar mascavo...
São tantas memórias afetivas que povoam nossas lembranças da
infância.
O pai trazia da roça, o pé de cana mais bonito que achava no
canavial,
descascava os gomos e cortava em rodelas para os 5 filhos
chupar,
ele nem dava conta...
Certa vez, voltou da cidade onde comprou uma maçã enorme,
chegando em casa, cortou em 5 pedaços e nos deu...
ficamos sabendo então, que era uma fruta cara, da
Argentina...
por isso comprou só uma, para os filhos experimentar.
Foram gestos simples assim, de um pai generoso, que marcaram
nossa infância...
Mãe... quantos sábados você se dedicou a fazer pães de trigo
e de batata cará?
Que deveriam durar a semana toda,
mas que dávamos conta de comer tudo antes da quarta feira?
Então você fazia tudo de novo...ou improvisava com broas de
milho?
E os Chico Balanceados que você fazia todos os domingos?
E quando os amigos da cidade resolviam ir passar o fim de
semana
no nosso sítio para
brincar no meio das lavouras e comer pão com melado e nata?
Por que nenhuma outra mãe fazia comidas tão boas como você
fazia...
Também tinha aquele sábado que você marcava para cortar
nossos cabelos,
então chegava também todas as crianças da vizinhança,
pra você cortar os cabelos deles também...
Sim, por que ali na linha Biancati não tinha barbeiros
e nem mãe tão ousada, habilidosa e generosa como você...
Pai e mãe vocês dois formaram, durante a vossa existência,
uma referência forte para nossas vidas,
de maneira singular souberam nos criar e nos educar,
vigiando-nos de longe, pedindo a Deus que sempre nos
protegesse em nossas escolhas.
Pais, parabéns! Cinquenta anos! de luta, de fé, de otimismo,
de coragem, de exemplo, de amor, de bondade.
Como Deus foi generoso com vocês! Mandando-lhes cinco
filhos!
mais tarde quando estávamos todos criados
vocês ainda viveram a chegada da Vildinha, filha adotiva,
foi preciso recomeçar de novo, muito trabalho,
paciência, superação e força de vontade,
muitas horas de conversa, muitos conselhos e orientações.
Quando o desânimo e a desesperança bateram a vossa porta,
a fé os manteve firmes neste caminho traçado por Deus.
Hoje nós estamos todos aqui, filhos, noras, netos e
bisnetos,
Comemorando o grande exemplo de determinação,
de luta e de perseverança que vocês nos ensinaram nestes
anos todos.
O que somos hoje, devemos a vocês.
Os pais e mães que nos tornamos são frutos das lições de
vida que vocês nos ensinaram.
Hoje também queremos pedir perdão:
Perdão pelo trabalho que damos a vocês,
Perdão pelas noites que não os deixamos dormir,
Perdão pelas vezes que os deixamos nervosos,
Perdão pelas vezes que os fizemos chorar,
Perdão pelas vezes que não conseguimos entendê-los,
Perdão pelas vezes que não compreendemos o quanto era
difícil educar-nos,
Perdão e muito obrigado:
Obrigado pela vida que vocês nos deram,
Obrigado pelo amor,
Obrigado pelo carinho,
Obrigado pelo esforço,
Obrigado pela dedicação,
Obrigado pela formação religiosa e moral,
Obrigado por querer e exigir que estudássemos,
Obrigado por não deixar que trocássemos a ESCOLA pelo
trabalho,
mesmo quando a necessidade apertava e precisava que
ficássemos em casa os ajudando.
Obrigado porque até hoje, mesmo estando longe,
vocês continuam a se preocupar conosco.
Queremos manifestar do fundo dos nossos corações
o imenso orgulho de sermos seus filhos e o grande e eterno
amor que sentimos,
enfim, dizer que os amamos muito.
Obrigado e parabéns, em nome de todos os irmãos, noras,
netos e bisnetos,
em nome desta comunidade aqui reunida e em nome
de todos aqui presentes.