12/01/2009

Um conto para jamais ser contado


Felizmente cinquentei...
O que penso sobre isso?
O que há de diferente neste fato?
Agora sei que tudo posso, até contar o incontável.

Pôr do Sol


Sento-me relaxadamente na sacada
Olhando o horizonte amarelado
Fixo meu olhar sobre as copadas
e os pensamentos voltam-se ao passado
Revejo o amanhecer de minha vida
Tantos sonhos, tantos planos
Tantas histórias! Quanto sofrida!
E agora nesta cadeira de balanço
Eu me balanço , balançando a vida
Aqui embalo meus anseios da juventudoe

Recordando-me dos fracassos e avanços
Mas, sobretudo, como vivi tudo na plenitude
Tenho medo de não ter mais tempo
De recomeçar um novo percurso
De não resgatar sonhos perdidos ao vento
Porque hoje são parcos meus recursos...
Minha vida está agora
Num momento de Euforia
Assim como o pôr do sol para a Aurora
Procuro viver melhor a cada dia
Não importa-me mais minhas perdas
O que contam agora são as alegrias
Se tenho saudades, se sou de esquerda,
Se sou sogra, tenho netas e fibromialgia
Este dia se põe em paz
E eu estou ainda mais marcada
Com celulites, rugas e estrias
Mesmo assim, gosto de mim...
Olhar para trás e perceber
Que tenho vivido belos dias
E outros muito ainda hei de viver!!!!

9/24/2009

Eu estou viva...ou estou sonhando?


O que acontece com dona JÔ, esta senhora, mãe de dois rapazes, divorciada de um casamento, viúva do outro, quase cinquentona, professora de Literatura, romântica, vovó dedicada, amiga incondicional, perfeccionista, antenadíssima, vaidosíssima, discretíssima...Estar neste estado de embriaguez amorosa?
Meu Bom Deus, que bom estar assim: desencaminhada, completamente avoada, embobecida, emputecida, descarrilhada, cabeça cheia de bolinhas de sabão e coração cheio de borboletas lilases....Uma vontade de derrter no teu colo e perpetuar o calor e o rubror que os teus carinhos me fazem sentir...Será que tenho que desmorronar-me sempre até o rastejamento para depois surgir altiva, brilho nos olhos, ardência na alma e pernas bambeantes? Pra te fazer feliz pra me fazer melhor, pra te dar o meu bom-bom e pra me fazer integralmente mulher...
Deus, Cuida bem de mim e de meu amor também!!!

7/26/2009

tecendo um texto...

"...é através da língua que preservamos a história"
Os rapazes infestam os fandangos com raparigas de boa fama, são muito guapos e bem intencionados, e no solavanco das vaneiras e milongas, saídas dos acordes das sanfonas pode dar namoro, mas, se por ventura desonrarem uma china, deflorando-a, sai casório na certa. Pai cauteloso e tradicionalista prefere filha mal casada do que mal falada.
A história prova que por aqui passou muitos grileiros, foram mortos muitas pessoas de boa índole e , talvez, por esses causos é que as pessoas vêm visagens e pensam ser de almas penadas, mas quando um traia morre, ninguém dá por sua falta, “já foi tarde o arcaide”.
Os homens também apreciam a bodega onde podem tomar um gole de canha, encher as guampas de aguardente, comprar mantimentos como lingüiças, torresmos e caramelos para fazer um agrado para família, para a patroa e tentar não dormir em pelegos quando chegar em casa e dar com a cara na porta.
Sírio Possenti defende os falares da seguinte forma:
“Pouco se sabe sobre as línguas, a despeito dos séculos de trabalho a elas dedicados, mas algumas coisas são evidentes. A mais evidente de todas é que as línguas estão estreitamente ligadas a seus usuários, isto é, aos outros fatos sociais. Não são sistemas que pairam acima dos que falam, e não estão isentas dos valores atribuídos pelos que falam.” in Carlos Alberto Faraco, Prática de textos, vozes, Petrópolis, 1992, p 28.
De região para região, principalmente no Brasil na sua grande extensão territorial, a linguagem sofre e aceita diferentes pronúncias, vocábulos e sintaxe. Porém a aceitação vai depender da classe social e econômica do falante/ouvinte, mas nunca devemos permitir espaço para o preconceito lingüístico, tão prejudicial quanto os conflitos de classes, pois o mais importante é comunicar-se, exercendo a cidadania em sua plenitude.
Quem ainda tem o privilégio de conviver numa sociedade que valoriza, sem descriminação, sua cultura, sua história, suas origens, seus sotaques e seus antepassados, precisa saber tirar o devido proveito com o devido respeito. “ Povo que não respeita seus falares, não tem identidade, não tem história