7/05/2022

Susto

Surpreendentemente nos avisam que seremos avós,

sem aviso prévio, sem preliminares, sem torpedo.

E um mundo de inquietações, perguntas,

angústia e medo, se abate sobre nós,

pobres imaturas vovós.

Todo aquele ritual de sentir enjoos, tonturas, insônia,

caminhar sem rumo, olhar sapatinhos, tip tops,

nos invade de sobressalto.

Um misto de alegrias, por imaginar um bebê saltitando pela casa,

e medo da saudade que teremos que nos ir acostumando,

porque ser avó solteira e  paterna é sinônimo de saudade,

de ciúmes, de distância.

Sem falar das vantagens da avó materna:

ela tem a cumplicidade da filha,

ela vai ao médico, vai à cama,

ela dá conselhos, exemplos, apoio e consolo,

ela trocará as primeiras fraldas,

ajudará na primeira mamada.

Às avós paternas sobram:

um fim de semana agendado,

a primeira comunhão, a festinha como convidada.

Ah, que dureza vai ser,

viver uma avó solteira e paterna.

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