"Encerrando ciclos"
AMO A VIDA
Adoro escrever: quando estou triste, apaixonada, embriagada, infeliz, abandonada, cercada, individada, inspirada. Não sei como, não sei de onde, mas quando me vem vontade de escrever, eu fico exageradamente Nua. Escrevo tudo o que me vem na veia! Sou uma MULHER plena, feliz, ousada, realizada. Não canso de agradecer ao meu "Segnhore per tutto"...MINHA VIDA É GUIADA POR DEUS!!!
5/29/2025
Gestando aposentadoria
Cismada
Eu, ocupada em ser aceita, responsável, honesta, perfeita, passei pela vida só olhando para frente, com viseira, como um cavalo, obediente.
IMPLICITA
12/16/2022
8/03/2022
obra prima
Entre surtos, suspiros e sonhos,
vivo meu tempo num impulso louco,
não fujo de embates calmos ou medonhos,
tenho muita sorte, mas juízo pouco,
constantemente a vida me desmonta
com desafios que deixam morta,
me faço forte para seguir meio tonta,
por que comigo mesmo, ninguém se importa,
Depois de uma taça ou mesmo uma garrafa,
vomito meus monstros, caio num sono,
mas antes tranco a porta.
procuro-me
Perdida entre responsabilidades em demasiado,
trabalhos e relatórios atrasados,
esqueço-me de me olhar, de me amar, de me entender,
de me cuidar, de me surpreender...
Fico indiferentes às minhas dores, minhas necessidades,
meus temores em troca de pequenas benesses
que nem me proporcionam tantas felicidades.
E quando me dou conta do descaso
me busco, me resgato, com tanta voracidade
que não vejo a hora de me encontrar,
pois de mim, tenho saudade...
Ai, então, faço uma festa para mim,
vestido novo, vinho bom, música alta
e tiros de festim.
seja o que flor, floreço.
Se a noite for de sonhos, amanheço;
se a manhã for com musicas, entardeço:
se a tarde for de passeios, anoiteço;
se o dia for nebuloso, entristeço;
se o sorriso for para mim, agradeço;
se a vida for com paixão, eu verão;
se for igual todo ano, eu outono;
se a vida for um inferno, eu inverno;
se a vida for uma gerra, eu primavera;
se tudo for alegria, eu ventania;
se nada está dando certo; eu deserto;
se a noticia me afeta, eu poeta;
se a amizade é falsa, eu sou valsa;
se meu corpo está quente, eu doente;
se o beijo está frio, não arrepio;
mão adianta me dar conselhos, eu tenho espelho.
8/02/2022
mulher no espelho
A mulher no espelho
Abro as portas do armário
e diante de tantas roupas
sei que nenhuma me veste
De tanto experimentar
encontro um vestido que preste
Tipo saco, listado, sem curvas,
Onde eu caibo, espremida,
tipo carne embutida,
Hororosa, gorda, redonda, rotunda
Fico triste, deprimida
Tenho uma melancia na barriga
E me falta músculos na bunda,
estou feia,m grisalha, esfomeada,
Menopausa, perda de libido,
sem auto-estima, sem sentidos,
Hormônios, poli vitamínicos
de que adianta ter tantos vestidos?
beijos negados
BEIJOS NEGADOS
Era tanta a obediência
e um caminho a ser seguido
que nada era elegante
Tudo era proibido...
A primeira filha
Das avós não teve colo
Nem afagos da família
De parentes nenhum elogio
Todo ano um irmão novo
Para dormir juntos no frio
Se quer ganhou um brinquedo
De plástico, pano ou porcelana
Sempre obedecendo com medo
Sua boneca foi sua mana.
Cresceu sem nenhum sonho
Apenas vendo passar a infância
Quando se tornou adolescente
Que percebeu a distância
Que havia entre o passado e o presente
Então, resolveu naquele momento
Fazer melhor seu futuro
Trabalhava e estudava ao mesmo tempo
Para recuperar com juros
Sequelas irreversíveis,
nunca sanadas,
Cada vez mais visíveis.
volupia
perdidos
Lembro-me de
ter sorvido
Teu hálito,
teu lábio, tua boca,
Tua saliva,
tua sofreguidão
Sinto de
novo a mesma magia
A mesma
brisa, a mesma fantasia,
Os mesmos
odores , a mesma tentação,
Os mesmo
calafrios na pele que arrepia.
Em cada copo
de cerveja
espumante e
envolvente
Em cada
sopro de vento
Quando frio
ou quando quente,
No copo de
remédio amargo,
Que engasga
mas alivia,
Na criança
que corre contente
E derrama
pela casa, só alegria.
Sinto tua
respiração
aquecendo o
meu ouvido
Teu coração
bem junto ao meu,
Sua voz
suave sussurrando,
só doçura...
E eu toda
doce,
me
entregando ,
só
ternura...
farnhente
Copo vazio
Calor... calor... calor.
Céu enegrecido,
vento abafado!
Chuvas torrenciais...
Cachorro se coçando na
perna do sofá,
depois sobe, deita
e rosna se espreguiçando...
Na televisão um programa sensacionalista...
uma vítima de soterramento...
e fofocas da próxima revista...
uma térmica com água quente...
uma cuia de mão em mão...
uma galocha nos pés...
milho verde no fogão...
cheiro de férias caseiras...
de culinária experimental...
chutney, conservas, licores...
salgado, doce ornamental...
Eu fazendo meus crochês de mil cores...
e o marido de avental...
Pela janela o cheiro de terra molhada...
a brisa fresca que a chuva espalhou...
não troco este “farnhente” por nada!
aguardo as próximas ferias...
e vou passar onde estou.
metapoema
metapoema
Quando engravido de um poema
Fico visualizando seu jeito
calculando suas medidas
imaginando seu efeito
planejando seu nascimento
se ele nasce ... que delícia!
Se será sagrado, profano, romântico
Ou impregnado de malícia...
Quando, finalmente, é parido
eu o crítico, o julgo, o censuro
deixo-o amadurar no obscuro,
pois gostaria que ele fosse querido
e já registrado com sucesso
E que no colo de todos
Imediatamente, tivesse acesso
Fosse eleito e aceito,
Sem ressalvas, nem preconceitos.
Quem sou?
Quem serei?
Será que algum dia, alguém vai me decifrar?
Se nem eu, estudiosa de mim mesma, sei.
Sou simples, chata, chorona e feliz...
Jô, mãe, dona de casa, professora,
super organizada, perfeccionista, prática,
autêntica, solidária e honesta.
Mas é possível?
Gosto de bijuterias, camisetas, jeans,
vestidos estampadas, chinelos havaianas,
unhas lilás, sol de verão, piscina, computador,
animais, sorvetes, cervejas, estrogonofe,
pizza, caminhadas, Orkut, blogs,
namorar, dormir e comer...
Ah!, também tenho minhas preguiças...
Então por hoje chega.
Lucidez
Abro, cansada, os meus olhos
Na
hipotética e tênue lucidez
Sinto-me
hipnotizada e impotente
Lesada
diante de tanta pequenez
Onde estão meus olhos de jabuticaba?
Onde perdi a maciez de minha pele?
Onde consegui olheiras tão escuras?
E meu sorriso já não tem o doce mel.
Por que
abandonei o livro de cabeceira?
Por que
anseio destruir o personagem?
Por que
vislumbro ser a justiceira?
Se não
me resta mais nenhuma coragem.
O meu corpo seca visivelmente
As minhas palavras ferem como punhais
Secam minha alma, espírito e mente
Que temo não recuperá-los nunca
mais.
Doem-me
as entranhas e a consciência
Doem-me
a covardia de testemunhar,
Por que
não levanto e tomo ciência?
Por que
me permito aniquilar?
mulher melhor
mulher que quer crescer
estudar, trabalhar e vencer!
mulher que quer amor
respeito, carinho e valor!
mulher que quer um lar
móveis, teto e um par!
mulher que quer família
esposo, filhos e filha!!
mulher que quer estabilidade
sendo reconhecida na sociedade!
mulher que quer justiça
e que não pode ter preguiça!
mulher que usa o coração
para equilibrar sua razão!
mulher que usa a beleza
para dar à vida, leveza!
mulher que chora escondida
para não ser reduzida!
mulher que ama incondicional
que, às vezes, até se faz mal!
mulher que tudo é capaz
para os seus viverem em paz
Deboche
Adoro escrever
Quando estou triste, apaixonada,
embriagada, infeliz, abandonada,
cercada, endividada, inspirada.
Não sei como, não sei de onde,
mas quando me vem vontade de escrever,
eu fico exageradamente Nua.
Escrevo tudo o que me vem na veia!
Sem vergonha e sem censura
Sou uma pessoa, feliz, ousada, realizada.
abusada, sem frescura
Corajosa e debochada.
agosto
Era uma manhã de domingo acinzentado
Quando levantei tarde,
Abri a janela do meu quarto
E senti me tocar um ar abafado
No céu encoberto pela fumaça das queimadas
Do mês de agosto, o sol não se mostrava,
Estava sob a atmosfera poluída.
Entendi que teríamos um dia calorento,
Sem sol, sem chuvas, sem vento
Mês de agosto é diferenciado,
As floradas trazem as alergias e as rinites,
a falta de chuva a terra resseca,
escassez de águas nas
fontes,
baixa umidade do ar.
As temperaturas destemperadas,
Com dias muito quentes,
Especialmente para mim.
A noite um frescor perfumado
pelas flores dos pomares
e algumas espécies do jardim.
Esperança
Levante,
Olhe para o futuro
e avante,
Não permaneça prostrada
Em atitude de submissão
Olha em volta
Tudo vive,
Tudo se move,
Então, não se deixe morrer
Há outros dias,
Outros sonhos,
Outras poesias
Como existem fatos ruins
É fato que haverá os bons,
Seque o pranto
Adoce sua boca
Brilhe seu olhar
há tantos sonhos adormecidos,
Acorde para sonhar!
Instantes
Instantes
Quando com sede chegamos na fonte de águas limpas e frescas;
Quando cansados alcançamos uma árvore com sombra frondosa;
Quando com fome pegamos a fruta madura no galho mais alto;
Quando caminhando e ganhamos uma carona, de carro, de
carroça ou bicicleta;
Quando a chuva cai torrencialmente fria e pesada e alguém
nos oferece um lado do guarda-chuva;
Quando choramos pranteando e alguém nos oferece o ombro em
silêncio;
Quando nós ferimos com espinhos e alguém nos oferece uma
flor.
Tempo, tempo
"Há tempo para tudo"
É apenas uma questão de tempo.
Tempo de semear...
tempo para com "templar" a germinação...
Tempo para se olhar o horizonte
para saber se o tempo chove na época certa,
e se, haverá um tempo certo para se colher.
Assim como há o tempo de refletir,
de calar, de ouvir, de partilhar,
de reconhecer, de perdoar...
O tempo, já diziam nossos pais, tudo cura.
Padre Antonio Vieira, lá pelos meados de 1600
deixou registrado que:
"...atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais
a corações de cera!
Um abraço apressado, gente, enquanto há tempo!
afinal o tempo ruge!
Colapso
Final de fevereiro,
seca no sul,
decretos feitos no impulso,
filas nas portas dos hospitais,
doentes sufocando,
parentes gritando,
não há vagas,
não há respiradores,
não há presidente,
não há ministro,
não há governadores,
não há mais controle,
o Brasil desceu toda ladeira,
o vírus pegou geral,
quem tem três beiras,
quem não tem nenhuma.
Estamos assim faz um ano,
atentos, ansiosos
esperando uma solução
que não se aproxima,
as autoridades negacionistas,
assistindo a chacina,
fazendo maracutaias,
criticando a medicina,
atrasando, dificultando
a chegada da vacina,
Em pleno século XXI estamos refém
de politicos que se blindam,
que depois de eleitos
não lembram mais de ninguém.
25/02/21
adeus Popó
Hoje o dia enlutado amanheceu
Após uma noite fria e silenciosa
é que ontem, no final da tarde,
o Popó, nosso mascote, morreu
e a vida malvada e capciosa
levou-o de uma forma tão covarde.
Choramos todos...
amigos, filhos, mami e papi...
Popó será insubstituível
Ele era nossa lambança
nosso “bebeinho” incrível
morreu brincando com as crianças
mal sabia, dos riscos
que a rua oferecia
saltitando, feliz,
atrás dos outros ele corria.
Dali a pouco,
passou um carro voando,
então ele, o POPÓ, morria.
Levando embora
um dos motivos de nossa alegria.
Seja feliz Popó,
Tenha certeza:
você era muito inteligente,
fiel, amigos, carinhoso
Tudo em você era diferente
Você não era um bicho
Você era um ser-quase-gente
Vamos lembrar de você
No Orkut, nos blogs, eternamente
espero que tenhamos retribuído
a felicidade que você nos proporcionou.
Mas me diga:
O que vou fazer com a ração que sobrou?
O xampoo que voce não usou?
Seu talco que no banheiro ficou?
A sua ausência que aqui em casa se instalou?
espanto
O tempo todo corremos,
enfrentamos filas onde quer que vamos:
no trânsito, no banco, no super mercado,
na farmácia, no elevador apertado
no Posto de saúde, no orelhão.
Dormimos pouco, comemos mal,
não temos tempo para ler jornal,
então nos bastamos com o "Nacional",
manipulado, dourado, sensacionalista.
Lá tem o "Jabor", que dá seu ponto de vista.
poderia
Quantos sonhos eu sonhei?
Até as contas eu perdi.
Poderia ter sido jornalista,
Também quis ser doutora
mas foi sendo diarista
que consegui ser professora
Quis tanto ser feliz
Ter uma família normal
Os filhos que sempre quis
Criados pelo casal
mas há um destino traçado
que não sabemos o final
A vida é um jogo de lego
Que vem sem o passo a passo
O que acaricia nosso ego
Escapa de nossos braços
E foi com ensaios e erros
Sem estágios, sem chances
Que às pressas, no desespero
A vida passa num relance...
falas de orgulho
Hoje pela manhã precisei dos serviços de mecânica
especializada
em carros com câmbio automático,
para tal, procurei uma renomada empresa prestadora destes
serviços na cidade.
Um mecânico experiente, atencioso, coroa e muito charmoso sugeriu
que fôssemos rodar com meu carro para identificar alguns problemas, quando ele
me inqueriu:
----- Como posso chamá-la, senhora?
----- Profê Jô, professora JÔ... - respondi empoderada...
Depois pensei comigo:
"E minha melhor definição, sou há 43 anos professora,
mais que mãe, mais que avó, serei sempre professora."
Conclui meu pensamento e meus olhos marejaram.
Profissão x profecia
Formei-me para servir
E a missão é para ser vil
Me convocam para lutar
E a trincheira me faz enlutar
Me convencem a ser guerreira
E logo viro baderneira
Me gritam para ser aguerrida
Mas no confronto sou ferida
Vou dar aulas numa praça
E lá caio em desgraça
Quando cumpro o calendário
Ninguém me xinga de otário
Basta que entre na luta
Me chamam filha da puta
Se vou todo dia na escola
E meu salário não decola
Me junto a categoria
Nunca fui de covardia.
Lutar uma vida inteira
E não salvar minha carreira
Sempre lembrada em campanha
Mas quando se revela, apanha.
sempre na luta
São tempos complicados
O mundo está doente
Com várias comorbidades
Morrendo muita gente
Abalando a sociedade
Nas redes sociais
Uma vitrine de obituários
Que se confirmam a noite
Em todos os noticiários
Temos um imbecil no comando
Cercado de asseclas vassalos
Não acreditam na ciência
São asnos, são cavalos
Blindados pela presidência.
Nas UPAS dezenas de ambulâncias
Com pacientes sobre as macas
Esperando sair o carro funerário
abrindo outra vaga de UTI
e no cemitério outra vala comum.
tempos pesados
Os dias se arrastam sorumbáticos
As dores do meu corpo aumentando exponencialmente
O confinamento prolongado
é problemático
As pessoas todas só se queixando
Meus pés estão muito pesados
Tenho pedras invisíveis penduradas
Os tendões muito inchados
Os meniscos dilacerados
Reflexos de uma quarentena enclausurada
Enquanto realizo trabalhos em modo remoto
por longas horas fico imobilizada
Não consigo me ver em foto
Pois dia a dia minha imagem piora
As rugas me saltam aos olhos,
Os cabelos pratas me apavoram
Os boletos são esquecidos e
A aposentadoria que não decola.












