11/15/2014

aposentadoria

Misericórdia aos colegas que resistem...
Há 31 anos entrei no magistério no estado do Paraná lecionando Estudos Sociais, português, técnicas de Trabalho e alternando disciplinas de ano para ano, por falta de outros melhor dispostos ou melhor habilitados, numa cidade pequena e acolhedora Nova Prata do Iguaçu na Escola Cristo Redentor.
Eu ainda era acadêmica de uma Instituição particular, semi presencial.
FAFI- Palmas, 1 semana na facul e 3 em casa..Sem tecnologias, sem poder adquirir livros, sem bons professores, sem minímas condições de me bancar por lá, morava na pensão mais barata, mais longe e mais fétida e mofada, por que era lá que eu podia pagar em troco de tricô!
Eu era uma péssima professora e eu tinha ciência disso...Lembro-me da Prof Terezinha Rover me chamando atenção pela minha falta de domínio quanto a disciplina dos alunos, junto deles, na lata! O João Antonio (in Memória) entrando na minha aula e me pedindo o que era "rebuliço"? porque a palavra estava escrita errada, o correto era "reboliço" eu, ingênua e envergonhada, apaguei o quadro e escrevi "rebulisso"...mais humilhações... e choros escondidos. Em frente da turma me sentindo uma ameba.
Então o tempo passou, me formei, preparava minhas aulas religiosamente toda noite antes de dormir, ao mesmo tempo que lavava fraldas de filhos, ouvia o JÔ SOARES e pensava no almoço do outro dia e tentava seguir certinho os ensinamentos das "didáticas" que aprendi no curso de Letras. Lia todas as obras, corrigia "fio a pavio" todos os trabalhos, redações, provas e me tornei exigente e vingativa!! 
----" Haveria de um dia orgulhar-me de mim"
Ao mesmo tempo fui me transformando em referência e guerreira. comprei broncas, divergi com o sistema e construí uma história profissional.
Sempre fui sindicalizada, sempre participei das reuniões, dos movimentos, das lutas da categoria.
.....
Agora eu leio num blog, muito popular entre a nossa categoria que, devido os últimos acontecimentos na ALEP , a sociedade (pais, professores e alunos) se posicionando a favor do cacete, dos gorilas, dos cavalos e da desfiliação dos sindicalizados (professores) por que somos baderneiros? Não ensinamos nada e que só pensamos no dinheiro que cai na conta no final do mês,..e que estão com saudade dos professores mais antigos, que eram mais idealistas, que se doavam mais...(Eu também tenho saudade dos alunos que tive anos atrás...)
Temos sim, melhorado muito nossas condições de trabalho e de salário, mas nada veio de graça..Tudo as custas de muita luta, muita união, muita divergência entre a própria classe, porém temos muito a lutar pela manutenção das conquistas..(que por lei já são garantidas..garantidas??)
Entre nossa classe temos os que apoiam as "tundas", as humilhações, que trabalham "silenciosamente" através de e-mail, rede social para o enfraquecimento da APP.
Que tipo de colegas eu tenho? Que tipo de vaidade tem um colega que quer que nossa classe se lasque, se exploda?
Eu estou com vergonha, com LUTO, com nojo deste ambiente cheio de "oportunistas".
Resumindo: Encaminhei pedido de aposentadoria!
desculpem, quando eu me acalmar, vou excluir este desabafo
EMIR CAMPANARO = 
Pois éJovilde, infelizmente o que se vê em nosso meio profissional são oportunistas, pessoas despreparadas, desmemoriadas que criam intrigas em benefício próprio. Egoísmo, arrogância e um toma lá da cá sem medidas. A sociedade delegando a educação (aquela moral, ética, etc) para os professores, a sociedade cobrando isso e aquilo, sem saber do dia a dia, da história construída a base de luta.. e muita luta (inclusive luta corpo a corpo com a PM) travada há longos anos... há muita desinformação, informações truncadas, inverdades e muito mais, ainda, panos quentes colocados sobre situações de perigo e conflito através de mal intencionados que criam e-mails e perfis falsos nas redes sociais. Quem não conhece a História de seu país, tende a repetí-la já disse o Che há uns 50 anos e é isso mesmo que dá pra ver acontecendo agora, infelizmente. São profissionais da educação que não conhecem a Educação, a luta, a falta de condições extremas de trabalho, de como era ter que dar 60 horas-aula (sem nenhuma hora atividade) pra conseguir sobreviver, como era não ter giz, nem quadro negro, nao ter carteira para alunos... faltar água nas escolas... merenda, então... se houve avanços são devido as nossas lutas Jovilde, nosso enfrentamento, nada veio de graça como vc mencionou..e, realmente, eu também to desanimado, mas... vou lutando até onde puder, quem sabe um milagre possa acontecer, ainda?

VALENTIM SILVA =  Minha adorada professora, vc que me oportunizou exemplos de como estar comprometido com o fazer-se PROFESSOR, com todas as letras e os seus inúmeros significados... acho que estamos sim em momentos decisivos, sobre o que queremos estar sendo, ser e o que queremos ainda construir. Nossa sociedade não encontra no papel docente os alicerces necessários, talvez ainda sejamos culpados, por em algum momento quem sabe, não termos nos tornados mais fortes, mais ativos, mais presentes na sociedade, na política, na comunidade... Enfim... acredito piamente que podemos mudar certas circunstâncias, e ao meu modo, talvez ingenuo, pq ainda carrego comigo aquela criança que vc conheceu, um criança que sonha e que ao sonhar se faz utópico.... mas não consigo nessa hora ficar triste... acho q isso não é de todo o mal... não consigo ser mais pessímista que minha própria história se apresentou a mim... sou sim convicto que os desafios maiores ainda estamos por enfrentar.. pois é natural que os sistema que nos oprime se encontre com todas as suas forças para que não permita que nós, pessoas como Você e Eu se emancipe e se liberte dessa opressão que encontramos na própria escola. O José Pacheco fala muito isso: "O maior amigo de um professor é outro professor, mas o maior inimigo de um professor é outro professor." fico pensando nisso, até quando nossa classe, nós professores vamos nos deixar abater pelo "tiro" que vem de dentro da trincheira? Até quando?, Professora, não há dúvidas da sua alta contribuições em todos os espaços e acredito que ainda haverá muitas lutas que irá participar.... somos da luta... somamos conquistas e vitórias e tenho certeza que esse é só mais um movimentos quanto tantos outros que nos levam adiante... Bjão gigante... cheio de carinho e admiração. OBS: Venha me visitar na Ufpr Litoral , temos ótimas iniciativas aqui.... projetos alternativos, muito bacana... o ar do litoral anda mais leve.

MARLOU = a vez mais ou às vezes menos acho que temos de escrever nossas memórias. Mas e os que NIS deixaram seu legado escreveram ou como foi que assumimos os seus papéis para manter o que nos deixaram? E por que hj somos apedrejados por nós mesmos? Amanhã te escrevo mais... Decepcionada TB...a luta continua, nem que sejamos o último suspiro!

CARMEM = Voce marcou nossa história de vida com seu bom exemplo...e nós alunos e cidadãos de bem repudiamos a truculenta e imprópria atitude do governo.Sabemos q seu desabafo é são.Sabemos q levamos conosco um pedacinho de vc...minha super professora amada e ainda madrinha...bjo...te amo sempre...!!!

KARIN  = Não vai excluir, isso não é só um desabafo seu minha prezada colega e querida amiga, é o desabafo de muitos. O que me dói na alma é constatar que temos em nosso meio pessoas que se dizem professores, mas na verdade não o são, talvez o tempo, a necessidade os torne, talvez nunca venham a ter essa compreensão. Sinto na verdade pena...Mas não pense que sua luta foi em vão, observe os comentários de seus ex alunos, isso sim minha queridona é motivo de sobra para se encher de orgulho e festejar. Tenha certeza que os "meios professores" jamais, jamais terão depoimentos assim. bjos no seu coração, guerreira.

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