"...é através da língua que preservamos a história"
Os rapazes infestam os fandangos com raparigas de boa fama, são muito guapos e bem intencionados, e no solavanco das vaneiras e milongas, saídas dos acordes das sanfonas pode dar namoro, mas, se por ventura desonrarem uma china, deflorando-a, sai casório na certa. Pai cauteloso e tradicionalista prefere filha mal casada do que mal falada.
A história prova que por aqui passou muitos grileiros, foram mortos muitas pessoas de boa índole e , talvez, por esses causos é que as pessoas vêm visagens e pensam ser de almas penadas, mas quando um traia morre, ninguém dá por sua falta, “já foi tarde o arcaide”.
Os homens também apreciam a bodega onde podem tomar um gole de canha, encher as guampas de aguardente, comprar mantimentos como lingüiças, torresmos e caramelos para fazer um agrado para família, para a patroa e tentar não dormir em pelegos quando chegar em casa e dar com a cara na porta.
Sírio Possenti defende os falares da seguinte forma:
“Pouco se sabe sobre as línguas, a despeito dos séculos de trabalho a elas dedicados, mas algumas coisas são evidentes. A mais evidente de todas é que as línguas estão estreitamente ligadas a seus usuários, isto é, aos outros fatos sociais. Não são sistemas que pairam acima dos que falam, e não estão isentas dos valores atribuídos pelos que falam.” in Carlos Alberto Faraco, Prática de textos, vozes, Petrópolis, 1992, p 28.
De região para região, principalmente no Brasil na sua grande extensão territorial, a linguagem sofre e aceita diferentes pronúncias, vocábulos e sintaxe. Porém a aceitação vai depender da classe social e econômica do falante/ouvinte, mas nunca devemos permitir espaço para o preconceito lingüístico, tão prejudicial quanto os conflitos de classes, pois o mais importante é comunicar-se, exercendo a cidadania em sua plenitude.
Quem ainda tem o privilégio de conviver numa sociedade que valoriza, sem descriminação, sua cultura, sua história, suas origens, seus sotaques e seus antepassados, precisa saber tirar o devido proveito com o devido respeito. “ Povo que não respeita seus falares, não tem identidade, não tem história
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